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domingo, 22 de maio de 2011

Polícia prende 11 pessoas acusadas de corrupção na prefeitura de Campinas

A polícia prendeu nesta sexta-feira (20), 11 pessoas acusadas de corrupção na prefeitura de Campinas. O vice-prefeito, Demétrio Vilagra e os secretários municipais Francisco de Lagos Viana Chagas (Comunicação) e Carlos Henrique Pinto (Segurança Pública) estão entre os acusados.
Os três tiveram tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça e são considerados foragidos. Eles não foram localizados durante a operação do Ministério Público (MP). Além deles, foi decretada a prisão de seis suspeitos que estão foragidos.
Segundo o MP, as prisões são resultado de investigações sobre um esquema de fraudes em concorrências e contratação de serviços pela Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), empresa de saneamento de economia mista controlada pela prefeitura de Campinas.
O Ministério Público não deu mais detalhes sobre a operação e nem sobre o valor movimentado pelos acusados, mas informou que uma grande quantidade de dinheiro, além de computadores, documentos digitais e papéis foram apreendidos.
Em Campinas foram presos o diretor da Sanasa Aurélio Cance Junior e os empresários Ricardo Cândia, Valdir Carlos Boscatto e Gregório Vanderlei Cerveira. Nas cidades de Jundiaí, Vinhedo, Jaguariúna e São Paulo também foram presos os empresários João Carlos Ibrahim Gutierrez, Marcelo Quartim Barbosa de Figueiredo, Luiz Arnaldo Pereira Mayer, Pedro Luiz Ibrahim Hallack, João Tomás Pereira Junior, Alfredo Ferreira Antunes e Augusto Ribeiro Antunes.
Estão foragidos os empresários Gabriel Ibrahim Guttierrez, Dalton dos Santos Avancini, Ivan Goretti de Deus, Emerson Geraldo de Oliveira, José Carlos Cepera e Maurício de Paulo Manduca.
De acordo com o MP, Oliveira, Cepera e Manduca já estiveram presos em outubro do ano passado por participação no comando de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo prefeituras e empresas públicas nos estados de São Paulo e no Tocantins.
A Agência Brasil tentou contato com a Sanasa, mas não obteve sucesso. A prefeitura de Campinas informou que o prefeito da cidade, Hélio de Oliveira Santos, vai se pronunciar por meio de seu secretário jurídico, mas até o momento o pronunciamento não ocorreu.

Filmes sobre Renato Russo e rock dos anos 80 mostrarão uma Brasília menos conhecida

Em breve, uma Brasília diferente da exibida diariamente nos telejornais ganhará as telas dos cinemas brasileiros. Dois longas-metragens baseados na obra da banda Legião Urbana e na vida de seu vocalista, Renato Russo, além de um documentário sobre o rock brasiliense na década de 1980 prometem jogar luzes sobre um dos momentos mais instigantes da música popular brasileira e atrair um olhar diferenciado para a capital do país.
Dirigido pelo cineasta brasiliense René Sampaio, o longa-metragem Faroeste Caboclo se inspira na famosa canção sobre a saga do “aprendiz de carpinteiro” João de Santo Cristo no Distrito Federal (DF), onde ele se torna “bandido destemido e temido” antes de conhecer Maria Lúcia, “uma menina linda”, a quem ele promete seu amor. As principais cenas estão sendo filmadas na Cidade Ocidental (GO), a cerca de 40 quilômetros do centro de Brasília. As ruas do município goiano retomam as de Ceilândia no final da década de 1970 – cidade do DF onde, na letra da música, ocorre o duelo mais conhecido do rock nacional. A expectativa é que o filme seja lançado ainda este ano.
Com Fabrício Boliveira e Isis Valverde nos papéis de Santo Cristo e Maria Lúcia, o elenco conta ainda com Felipe Abib, Antonio Calloni e um grande número de figurantes. Segundo o produtor Marcello Maia, além de quatro estudantes de cinema de uma universidade local, a produção empregou mais de uma centena de profissionais brasilienses, gerando empregos diretos e indiretos. E irá surpreender quem acha que Brasília se limita aos cartões-postais do Plano Piloto.
“Santo Cristo representa um grupo de pessoas que vieram para Brasília tentar a sorte de um destino diferente, mas a quem as desigualdades sociais acabam impondo um outro caminho. A Ceilândia onde ele vive é um contraponto a Brasília do Plano Piloto de Maria Lúcia. E, nas filmagens no Plano Piloto, buscamos mostrar um tipo de vivência que as pessoas não estão acostumadas a ver”, afirmou Maia à Agência Brasil, ao explicar que o trecho da infância de Santo Cristo será filmado na cidade de Paulínia (SP).
Outra produção a se apropriar de uma canção da Legião Urbana, Somos Tão Jovens é dirigida por Antonio Carlos da Fontoura. O filme trata da adolescência de Renato Russo, fase em que, devido a uma doença óssea rara, o futuro ídolo tinha de permanecer em casa, lendo e sonhando com o sucesso. Muitas das suas canções que mais tarde se tornariam conhecidas começaram a ser compostas neste período.
Já o cineasta Vladimir Carvalho optou por garimpar em seu arquivo pessoal as imagens que utilizará no documentário Rock Brasília – Era de Ouro. Entre as muitas cenas históricas captadas pelo próprio documentarista há imagens como as do último show da Legião Urbana em Brasília, realizado em 18 de junho de 1988, no estádio Mané Garrincha, ocasião em que um quebra-quebra deixou centenas de feridos.
“O documentário conta a jornada épica de bandas surgidas em Brasília, nos anos 1980, como Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude, Paralamas do Sucesso, e que se projetaram para o país todo, ajudando a transformar a música nacional. Outra importante contribuição do documentário será mostrar uma Brasília viva, contestadora e corajosa, expondo a dinâmica das pessoas que vivem aqui e que tem uma ligação com a cidade”, explica o produtor Marcus Ligocki, que vive na capital desde 1974 e para quem o fato de as três histórias estarem sendo produzidas simultaneamente é uma “feliz coincidência”. “Esse é um tema inquestionável e que ainda não havia sido abordado nos cinemas. Em algum momento, esses filmes seriam feitos”, conclui Ligocki.
De acordo com o diretor de Cinema e Vídeo da Secretaria de Cultura do Distrito, Sérgio Fidalgo, além de movimentar a economia local por meio da contratação de mão de obra técnica e artística, um filme de qualidade exibido para um grande público funciona como um fator de atração turística, despertando nas pessoas o interesse de conhecer a cidade onde as cenas foram rodadas.
“As pessoas vão ao cinema, se apaixonam pela locação e passam a querer conhecer o lugar onde a história foi filmada. Ou seja, o filme atrai turistas”, diz Fidalgo. Segundo ele, o governo da capital há tempos discute formas de estimular produtores de todo o país a ambientarem suas histórias no Distrito Federal, seguindo o exemplo de Paulínia (SP) que, em troca de financiamento público, exige que parte da produção seja rodada no município. Atualmente, o único instrumento de financiamento do audiovisual em Brasília é o Fundo de Apoio à Cultura (FAC), concedido apenas a produtores que vivem no Distrito Federal e graças ao qual o Rock Brasília pode ser gravado.